Plano de Gerenciamento de Tecnologia em Saúde – o que é e como fazer
O Plano de Gerenciamento de Tecnologia em Saúde se tornou um documento muito importante para os dias atuais, sendo a base para a prevenção de eventos graves com envolvimentos com os Equipamentos Médicos Hospitalares (EMH). Visando a diminuição dos riscos de acidentes aos pacientes, mas também soluções financeiras para diminuir os gastos com as manutenções dessas máquinas, o gestor da saúde pode elaborar um Plano de Gerenciamento que traz múltiplos benefícios. Então, como é que se faz para reconhecer os desempenhos dos equipamentos, garantir que os profissionais saibam fazer o uso deles e propor medidas para minimizar os riscos? A ideia do Plano é unir todas as respostas em um único documento. Para entender mais do Plano de Gerenciamento de Tecnologia em Saúde, leia os tópicos:
- O que é o Plano de Gerenciamento de Tecnologia em Saúde
- A importância do Plano de Gerenciamento de Tecnologia em Saúde
- Como criar o Plano de Gerenciamento de Tecnologia em Saúde
- Os maiores desafios da implementação do Plano
O que é o Plano de Gerenciamento de Tecnologia em Saúde
É um documento que visa trazer informações precisas sobre os equipamentos e outras tecnologias usadas na área da saúde. O foco não é mencionar os riscos deles, mas o contrário: minimizá-los e aumentar os benefícios para os pacientes. O Brasil ainda não tem estatísticas ou dados recentes sobre acidentes envolvendo os EMH. Mas, em países como os Estados Unidos, já foram identificados muitos problemas relacionados à falta de monitoramento de equipamentos de saúde. O Plano eficiente será aquele que considera a importância dos seus ativos e dos serviços que são referentes a eles. E a gestão vai dos processos de instalação até a manutenção, passando pelo monitoramento constante do funcionamento.A importância do Plano de Gerenciamento de Tecnologia em Saúde
Atualmente, muito se fala sobre o papel do engenheiro clínico em estabelecimentos de saúde. Ele é o responsável por trabalhar focado no funcionamento de equipamentos e nos processos gerenciais que os envolvem. Por isso, é um dos responsáveis pelo Plano.
Assim, para um bom trabalho, ele precisa fazer perguntas como: o equipamento está desempenhando bem o seu papel, os resultados que ele mostra são confiáveis, quais são as fontes dos erros, há um programa de manutenção preventiva para ele? Etc.
O problema, que é um gargalo em todo setor da saúde, é a falha em obter essas respostas justamente por não se ter um Plano de Gerenciamento de Equipamentos.
Com tanta tecnologia disponível, a engenharia clínica junto com o Plano, poderá trazer vantagens. A principal delas é a redução de acidentes envolvendo esses equipamentos.
A conformidade com as normas
O primeiro motivo que se tem para fazer o Plano de Gerenciamento de Tecnologia em Saúde é o fato de estar conforme as leis e regulações.RDC n. 02/2010
Um bom exemplo vem da RDC n. 2 da Anvisa, que é uma resolução focada nesse tipo de gestão. Inclusive, ela define os EMH como “conjunto de aparelhos e máquinas, suas partes e acessórios utilizados por um estabelecimento de saúde onde são desenvolvidas ações de diagnose, terapia e monitoramento, bem como os equipamentos de apoio, os de infraestrutura, os gerais e os médico-assistenciais”. Em resumo, o objetivo da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) com essa RDC é garantir a rastreabilidade, a qualidade, a eficácia e a segurança em todo estabelecimento de saúde a partir do planejamento de ativos físicos – bem como da capacitação dos profissionais.RDC n. 509/2021
A RDC n. 509 da Anvisa também nos importa nesse texto. Ela “dispõe sobre o gerenciamento de tecnologias em saúde em estabelecimentos de saúde”. Assim, estabelece critérios mínimos para garantir a efetividade das tecnologias e minimizar os eventos adversos graves. Menciona o Plano de Gerenciamento de Tecnologias em Saúde (PGT), que deve ser elaborado por um profissional com nível de escolaridade superior. E deve ser implantado em todos os estabelecimentos de saúde. O planejamento deve ter a adição de recursos físicos, materiais e humanos.As auditorias
O terceiro ponto é que esse trabalho serve como base para as auditorias, sejam internas ou externas, que devem acontecer de tempos em tempos. Se uma instituição da área da saúde está em busca de certificações de qualidade, esse tipo de gestão de tecnologia é essencial. Esses são exemplos que provam que há bons motivos para investir em um Plano bem-feito. A próxima pergunta é: como fazer um Plano de Gerenciamento de Tecnologia em Saúde. Afinal, manter o bom funcionamento dos equipamentos é essencial para a qualidade do serviço.Como criar o Plano de Gerenciamento de Tecnologia em Saúde
A criação desse documento vai levar em conta etapas importantes. Mas, diferente do que se imagina, ele não tem que ser confuso. O objetivo é que possa ser interpretado por todos, sendo de fácil leitura para os profissionais da equipe e para os auditores, por exemplo. A elaboração envolve investimentos, prazos e metas que devem chegar ao objetivo final.O inventário
O primeiro passo de um Plano que envolve equipamentos e tecnologias é o inventário. Tem que haver a descrição da quantidade, dos tipos e dos modelos de ativos. É a partir daí que se poderá dar sequência na gestão de um projeto de manutenção, por exemplo. Basicamente, o conhecimento sobre esses dados vai dar possibilidades para que novas ações sejam tomadas. A tarefa é simples, apesar de assustar muitos gestores. Apesar disso, pode ser demorada, o que vai depender da quantidade dos equipamentos. Uma dica importante: quanto mais completa for a descrição de cada um deles, então, melhores os resultados. Informações como data de compra, data de instalação, manuais de fabricantes, treinamentos com usuários, entre outras, são de grande valia. As informações do inventário vão dar base para o sistema do gerenciamento. Se você quer iniciar o Plano, mas não tem ideia de por onde começar o inventário, saiba que o Ministério da Saúde tem um documento que ajuda nisso.A classificação
Ponto número dois: a classificação dos equipamentos. Depois de ter a sua lista completa, agora é hora de identificar quais são os modelos, tipos e categorias. Por quê? É a partir disso que será possível tomar decisões, como pensar nos investimentos. E não existe uma regra única para esse tipo de classificação de equipamentos da saúde. Há gestor que opta por separar por sistemas fisiológicos: para tratamento pulmonar, para diagnóstico cardiovascular, etc.
Assim como tem aqueles que optem por agrupar por especialidade clínica: radiologia, obstetrícia, neurologia, etc. O que importa é ter uma separação de modo que fique fácil visualizar e gerenciar os ativos.

